Músico não tem paradeiro



A vida de músico me ensinou muitas lições, e uma delas é a de que, como tal, não tenho paradeiro. Estou sempre aqui e ali, ora ensaiando, ora em viagem com as bandas, ora nos palcos etc.. É esse movimento que faz a vida dos músicos ser o que é: uma coleção de canções, experiências e histórias para contar.
Em função de todas essas andanças, vejo minha casa apenas como um ponto de repouso, ao qual não fico muito apegado, pois acredito que minha verdadeira casa é onde estão meus instrumentos. Aliás, é exatamente por causa de tanto movimento assim que muitos aspirantes à carreira musical se veem em maus lençóis quando se trata de cumprir a agenda - ficam com medo de um dia não terem mais tempo para ficar em casa. A estes, meu conselho é: desapeguem-se. Não há como ser músico profissonal sem viagem. Não adianta, tem que sair, tem que mostrar trabalho, tem que estar no mundo. Se tiver que varar a noite numa van, que seja. Se tiver que dormir em hotel, ou mesmo em barraca de camping, dane-se. O que vale é honrar seus compromissos, como em toda e qualquer profissão.
Conheço muitos bons músicos que poderiam muito bem se tornar profissionais, mas não o fazem. Não por falta de competência ou coisa que o valha, pois os mesmos a tem de sobra, mas por medo de saírem de suas rotinas. Por medo de deixarem suas zonas de conforto. Por medo de arriscarem. Fica uma pergunta no ar: o que é a carreira musical se não desafiar a lógica do que se chama de "vida normal" em busca de seus próprios sonhos? O que é a música senão arriscar o tempo todo? O que é a música senão abrir mão de garantias e comodidades em busca de um ideal? O que é a música se não viver em trânsito, lá e cá, para atingir a alma e o coração do público, onde quer que esteja? Pois então...

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