Trabalho é trabalho - sobre um show marcado no dia de uma festa de família

Antes de começar esse texto eu gostaria de deixar aqui os parabéns à minha mãe Irma, que fez seus 80 anos, super lúcida e saudável. Que ainda venham muitos mais pela frente!




A vida de músico às vezes exige alguns sacrifícios. E vamos ao meu próprio exemplo: bem no dia da festa de aniversário da minha mãe, com toda a família presente, numa ocasião única, tive show marcado. Coisas da carreira que não temos como prever... Mas trabalho é trabalho e não há como desviar disso. Então, avisei a alguns membros da família que eu não poderia estar na festa em função do meu compromisso, e eles entenderam. O show em questão era da banda Friday Lovers no Clandestina Craft Beer em Estância Velha-RS, num especial anos 80.
Eram mais ou menos 8h20m quando me acordei, tomei café e tomei banho, e cerca de 10h quando coloquei todo o equipamento no carro. O dia foi bem movimentado em casa, em função da organização da festa. O carro ficou na rua, já que a garagem estava ocupada, e isso me deixou bastante preocupado, não por possível roubo do equipamento, mas porque era um dia muito quente e o sol estava a pino, o que talvez pudesse danificar os instrumentos. Mas nada disso aconteceu e saí de casa por volta das 16h.


A viagem de ida foi caótica. Tinha uma obra que trancou toda a avenida Getúlio Vargas, o que me obrigou a fazer uma volta gigantesca pela BR-448 até Esteio-RS, e, chegando nesse ponto, ainda peguei um caminho errado, tendo que encontrar um retorno com urgência. Em resumo, demorei bem mais que o esperado para chegar no local do show - a viagem só terminou às quase 18h.
O evento começou com meia hora de atraso, pois a banda de abertura demorou a se arrumar. A propósito, a tal banda mostrou um repertório bem eclético, por vezes até demais, fugindo um pouco da proposta do evento, mas, fora isso, foi uma boa apresentação. Após a banda de abertura encerrar seu show e sair do palco, comecei imediatamente a montar meu equipamento - o que me rendeu muito suor, pois além da alta temperatura do dia, o local ainda tinha telhado de zinco, potencializando ainda mais o calor. Não houve passagem de som propriamente dita - a troca de palco teve que ser super rápida.


O show teve alguns problemas técnicos, como microfonia, bumbo da bateria andando, dentre outros. Mas, dado o contexto de não haver passagem de som, e considerando que o local não tinha acústica, até que deu certo. O mais importante é que quem estava lá curtiu, pediu mais, e a banda ganhou novos admiradores.


Após o show, eu estava bem cansado, e suei mais um bocado para guardar todo o equipamento e colocá-lo no carro. A viagem de volta foi bem mais tranquila que a de ida - sai do local do show por volta das 22h50m e cheguei rápido em casa, umas 23h30m. Foi só o tempo de eu fazer minha ceia, escovar os dentes e dormir. No dia seguinte, descarreguei o carro. E ainda deu para comer um pedaço do bolo da festa de aniversário da minha mãe...


Pois então... Às vezes precisamos faltar a compromissos de família em função da carreira musical, que nunca para, mas, no fim, o sacrifício compensa. Cheguei em casa exausto, com pena de não ter participado da festa, mas com um cachê bem gordinho em mãos (o bar ainda paga os músicos com dinheiro em espécie - coisa rara em tempos de Pix). Ocasiões como essa não são novidade para mim - inclusive, em épocas passadas, cheguei a faltar à festa de Natal da família em função de ter shows agendados. Isso faz parte da vida de quem escolheu a música como profissão. Não há como fugir.

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